"A Liderança Popular na Política de Matão - Laertão e Adauto" - fatos cronológicos

"A Liderança Popular na Política de Matão - Laertão e Adauto"

em edição. conforme os capítulos forem escritos, postaremos aqui.

O SIMBOLISMO CARICATO DO LOBISOMEM E O LEBRÃO NA POLÍTICA DE MATÃO - fato esparso

O SIMBOLISMO CARICATO DO LOBISOMEM E O LEBRÃO NA POLÍTICA DE MATÃO
Era final do primeiro mandato de prefeito do Laertão (1968/72) e as eleições municipais se aproximavam - realizadas no feriado cívico de 15 de Novembro.
Preocupado com a frequente paralisação no abastecimento de água da cidade, Laertão habituara a sair de madrugada para verificar se alguma bomba apresentava defeito que apenas o silêncio da noite permitia aferir.
Numa dessas noites, quando retornava da capital em visita à assembleia legislativa, o vereador Dalmino Trevizan deparou com o alcaide no momento em que Laertão descia do carro para auscultar o funcionamento da bomba de um poço a meio caminho do centro e a Vila Santa Cruz.
Apesar de ferrenhos adversários, a posição de políticos exigia de ambos civilidade incondicional.
Premidos pela imposição de autoridades, de Laertão brotou um sorriso constrangido, um boa noite de despedida e o desejo de bom descanso, recebendo na mesma elegância e civilidade a imediata reciprocidade de Dalmino.
A campanha de 1972 mal iniciara e logo no primeiro comício na Praça Laurentino Gabriel, no entusiasmo do acalorado embate bipartidário da Arena (Aliança Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro), um afobado candidato arenista resolveu aproveitar a oportunidade eleitoral para bradar a plenos pulmões o que, segundo sua destemperada impressão, iria repercutir como denúncia tão inflamável a ponto de fazer a eleição de Matão pegar fogo.
De microfone em punho, a voz trêmula e aos berros:
- “Tem gente em nossa cidade que parece lobisomem; só sai de casa depois da meia noite!”
E repetiu a imprecação por duas vezes, a voz ainda mais elevada e trêmula.
Não havia dúvida sobre qual político perambulava à noite. Nem podia haver. A cidade inteira sabia. O único político que saía à noite para escutar as bombas dos poços era o prefeito Laertão!
Contudo, dois emedebistas de carteirinha, o estrategista e guru político Alzir Biava e seu sobrinho Próvido Gérsio Galli não permitiram que o episódio passasse em branco.
Inebriados por incontido fervor partidário, no dia seguinte ambos já trabalhavam sofregamente no desenho de um caricato “lobisomem” que naquela e na campanha de 1976 se tornaria símbolo do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) em Matão.
Entretanto, por seu turno, as lideranças da Arena não perderam tempo.
Bastou a campanha de 1972 deslanchar para Celsinho Assumpção (Antônio Celso de Arruda Assumpção) anunciar e exibir em carreata a figura do “Lebrão” (um coelho corpulento e olhar maroto), criada para contrapor-se à ‘estratosférica’ (como de pronto a definiu Orestes Tagliavini) imagem do Lobisomem.
E foi assim que na ferrenha disputa eleitoral de 1972, que elegeria prefeito o professor Celso de Barros Perche (MDB), nasceram os dois hilariantes símbolos eleitorais do Lebrão (Arena) e Lobisomem (MDB), que perdurou até 1976, desaparecendo na eleição seguinte com o ressurgimento do pluripartidarismo e as coligações partidárias.